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PSICOLOGIA CLÍNICA

AJUDAR A CRIANÇA A LIDAR COM O LUTO

O processo de luto, pela perda de alguém significativo, não deverá ser entendido como uma doença, mas sim como um processo normal de adaptação a uma realidade nova e muitas vezes inesperada para a criança, jovem e suas famílias. Os sinais face à perda podem variar de indivíduo para indivíduo e ocorrer, quer de forma imediata, como após um período considerável de tempo.

As manifestações mais comuns e imediatas em crianças e adolescentes poderão alternar entre o choque, a agressividade excessiva, o terror ou medo desmesurado em perder outras pessoas importantes, a regressão ao nível do desenvolvimento e etapas anteriormente adquiridas, a tristeza e eventualmente a culpabilidade atribuída a terceiros.

A intervenção passará sobretudo por ajudar a criança ou o jovem a ultrapassar esta fase, dadas manifestações progressivamente desajustadas e indicativas de um luto inadequado. Alguns exemplos poderão passar por: apatia ou ausência de reação à perda, choro excessivo e por longos períodos de tempo, birras constantes e prolongadas, isolamento e indiferença, diminuição da autoestima, procura de substituição imediata do sujeito falecido, tristeza permanente, perda de interesse prolongado por tudo o que o rodeia, sentimentos de culpa e de autocensura permanentes, pesadelos frequentes, decréscimo significativo no rendimento escolar e queixas físicas. É importante perceber que também consoante a idade, ou o contexto em que a criança esteja inserida, o processo de luto é elaborado de forma diferente, estando este facto associado à própria maturidade emocional e cognitiva por parte dos sujeitos.

Após sinalização da família, é feita uma avaliação clínica que permita definir objetivamente o estado em que a criança/jovem se encontra face à situação de luto e estabelecer um modelo de intervenção que possa promover estratégias eficazes e adaptadas a cada criança face ao processo de aceitação, experimentação, reorganização e reinvestimento futuro.

No processo de intervenção, para além do acompanhamento direto à criança/adolescente, poderão ser delineadas estratégias que permitam capacitar a família e outros prestadores de cuidados dos diferentes contextos do individuo, potenciando as suas oportunidades de resiliência face ao problema.



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